segunda-feira, 19 de setembro de 2016

A espetacularização do suicídio


Espetacularização do suicídio
Foto: Divulgação
Existe uma espécie de acordo entre cavalheiros que determina: suicídios não serão noticiados pela grande, média e pequena imprensa. Esse acordo foi selado, ninguém sabe exatamente quando, mas o fato é que ele existe, porém aos poucos e discretamente tem sido descumprido: notícias sobre suicídios são publicadas.
Às vezes, as notícias são veiculadas em modo sensacionalista, outras de modo superficial, e poucas de maneira aprofundada. O ato de acabar com a própria vida talvez seja colocado à margem da ação jornalística, por ser um ato individual cujas motivações são bastante íntimas e particulares, porém em contrapartida, os índices de suicídio no mundo, no País, no Estado e em Ijuí aumentam a cada ano.
O problema é quando se dá grande destaque para esses tipos de notícias, transformando a morte em um espetáculo através da mídia e se justificando em satisfazer uma necessidade inconsciente do espectador, como quem saboreia secretamente "a destruição do outro como espetáculo".
No mês de setembro, foi lançada a campanha nacional Setembro Amarelo para desmistificar o assunto suicídio. O slogan não podia ser mais claro: "Falar é a Melhor Solução". A campanha idealizada pelo Centro de Valorização à Vida (CVV) é para combater a falsa ideia de que abordar o assunto pode servir de estímulo para que pessoas mais vulneráveis tirem a própria vida.
Portanto, o suicídio é um tema polêmico na comunidade jornalística não tanto pela dificuldade de abordagem em termos práticos, pois os princípios da boa prática jornalística não mudam, independente do assunto em pauta. Lembrando, como destaca o pesquisador Teun Van Dijk, professor na Universidade de Amsterdã, que a notícia é uma formadora de opinião importante não apenas pelo que ela diz, mas também pela forma como diz e pelo que não diz.

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