Existe uma espécie de acordo entre cavalheiros que determina:
suicídios não serão noticiados pela grande, média e pequena imprensa. Esse
acordo foi selado, ninguém sabe exatamente quando, mas o fato é que ele existe,
porém aos poucos e discretamente tem sido descumprido: notícias sobre suicídios
são publicadas.
Às vezes, as notícias são veiculadas em modo
sensacionalista, outras de modo superficial, e poucas de maneira aprofundada. O
ato de acabar com a própria vida talvez seja colocado à margem da ação
jornalística, por ser um ato individual cujas motivações são bastante íntimas e
particulares, porém em contrapartida, os índices de suicídio no mundo, no País,
no Estado e em Ijuí aumentam a cada ano.
O problema é quando se dá grande destaque para esses tipos
de notícias, transformando a morte em um espetáculo através da mídia e se
justificando em satisfazer uma necessidade inconsciente do espectador, como
quem saboreia secretamente "a destruição do outro como espetáculo".
No mês de setembro, foi lançada a campanha nacional Setembro
Amarelo para desmistificar o assunto suicídio. O slogan não podia ser mais
claro: "Falar é a Melhor Solução". A campanha idealizada pelo Centro
de Valorização à Vida (CVV) é para combater a falsa ideia de que abordar o
assunto pode servir de estímulo para que pessoas mais vulneráveis tirem a
própria vida.
Portanto, o suicídio é um tema polêmico na comunidade
jornalística não tanto pela dificuldade de abordagem em termos práticos, pois
os princípios da boa prática jornalística não mudam, independente do assunto em
pauta. Lembrando, como destaca o pesquisador Teun Van Dijk, professor na
Universidade de Amsterdã, que a notícia é uma formadora de opinião importante
não apenas pelo que ela diz, mas também pela forma como diz e pelo que não diz.
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