| Foto: Luan Berti |
O mês de setembro marca a passagem de uma campanha que
chamou a atenção de toda a população. O movimento do Setembro Amarelo é mundial
e ocorre no Brasil desde 2014. Ele tem duração de 30 dias e foi escolhido para
acontecer no nono mês do ano, pois o dia 10 de setembro é o Dia Mundial de
Prevenção do Suicídio. Ele foi trazido ao Brasil pelo CVV (Centro de
Valorização da Vida), CFM (Conselho Federal de Medicina) e ABP (Associação
Brasileira de Psiquiatria).
E para marcar o mês de setembro pretendi buscar um
depoimento de uma pessoa que passou por uma situação de depressão e tentou
tirar a sua própria vida. Entre telefonemas, achei a história de Dulce Lorena
Wottrich, onde ela conta como foi a trajetória dessa triste realidade que afeta
uma grande parcela da população.
Uma doença que ninguém vê
Sinais pequenos e irrelevantes. Pensamentos negativos e
tristeza sem motivo. Tais sintomas que Dulce Lorena Wottrich percebia aos
poucos, mas que nunca iria imaginar que tudo aquilo tinha um nome: depressão. O
pessimismo e a baixa autoestima acabaram se tornando seus grandes vilões, lhe
diziam que sua vida não tinha mais sentido.
Dulce comenta que não sabe explicar como iniciou a
depressão, mas lembra de ter muitos pensamentos negativos e que queria se matar
para acabar com essa perturbação. Essa voz interior maltratava a mente de Dulce
que durante a sua depressão tentou duas vezes tirar a própria vida. "A
primeira vez que eu tentei foi depois que eu voltei do velório de uma tia da
minha mãe, onde a mesma também tinha se matado. Quando cheguei em casa me deu
uma coisa e escutava na minha mente 'Dulce vai fazer aquilo! Pega aquela corda
e se mata naquele lugar' e eu me dizia 'Eu não posso! Tenho filho pequeno, não
posso', mas a voz era mais forte, foi quando eu tentei, porém meus familiares
me salvaram", contou ela.
| Artesanato feito por Dulce - Foto: Luan Berti |
Após a sua primeira tentativa de suicídio, os seus
familiares e amigos próximos começaram a acreditar que Dulce estava doente e
precisava de ajuda, o que não era percebido antes disso. "Eu não falava
pra ninguém. Eu me fechava no quarto e ali já estava planejando fazer coisas. A
minha família não sabia. Eu lutei sozinha, pois eles não acreditavam que eu
estava em depressão, pensavam que eu estava fingindo e foi muito ruim enfrentar
sozinha, ainda bem que eu ainda tinha muita força", afirmou.
Em depressão profunda, Dulce foi internada em hospitais e
tinha acompanhamento de profissionais da saúde como: psicólogos e psiquiatras.
Naquele momento, os remédios tarjas pretas se tornaram o seu conforto e
controlavam aqueles pensamentos negativos que viam a sua mente.
Os medicamentos apenas lhe adormeciam e acalmavam. Quando
Dulce estava acompanhada de profissionais os pensamentos maléficos não
existiam, porém bastava chegar em casa que tudo piorava e as crises aumentavam.
Devido ao seu não melhoramento Wottrich foi internada novamente, no Hospital
Bom Pastor, "29 dias baixada", como disse ela.
De cama, o único pensamento era acabar com aquele
sofrimento. "Eu só pensava em suicídio, em me suicidar, eu ia me jogar
pela janela do hospital. Quando eu subi na janela e ia pular, naquele exato
momento, o doutor chegou ao meu quarto e me pegou pela roupa e me trouxe para
dentro. Nem sei como ele apareceu ali, pois nem era a hora dele ir ali.
Sentamos e conversamos um pouco e recebi alguns remédios para dormir",
contou o episódio da sua segunda tentativa de suicídio.
Com os medicamentos sempre em mãos, Dulce recebeu
acompanhamento no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de Ijuí, onde se tratou
por dois anos. Lá, eram desenvolvidas diversas atividades, como artesanato,
pintura, entre outras. Dali recebeu a orientação para participar da Associação
de Saúde Mental de Ijuí (Assami) Casa de Auto Mútua Ajuda (AMA).
| Sorridente por vencer a depressão - Foto: Luan Berti |
Na Casa AMA, começou a progredir satisfatoriamente a sua
saúde mental. A tristeza e negativismo foram derrotados pela felicidade e
solidariedade recebida por aqueles que também conviviam no local. A sua mente
era ocupada com boas conversas e estímulos motivacionais, oficinas de tricô e
artesanato.
As caixinhas de remédios foram deixadas de lado. "Agora
nem remédio eu tomo mais. Aqui na Casa AMA recebi muito apoio, aliás, estou
aqui há dois anos. O único medicamento que recebo aqui é a amizade e as boas
conversas que surgem", salienta Dulce, ao descobrir que conversar é
realmente a melhor solução.
A campanha Setembro Amarelo, que tem por objetivo falar
sobre a valorização da vida e o suicídio, traz no seu slogan "Falar é a
melhor solução". Dulce comenta que para aqueles que sofrem desse mal, às
vezes imperceptível, que procurem ajuda de profissionais da saúde. "Tem
que procurar ajuda. Eu procurei e consegui vencer. Procure pessoas que
acreditem na tua doença, que te apóie que te escute, essa é a principal
saída", ressaltou.
Em casos de não conseguir um bom ouvinte, o Centro de
Valorização da Vida (CVV) pode ser esse suporte que precise. O CVV realiza
apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntariamente e
gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total
sigilo por telefone (ligue para 141), email, chat e Skype 24 horas todos os
dias. Para ter acesso a esses serviços e mais informações, acesse:
www.cvv.org.br.


Muito bom o texto :D
ResponderExcluirMuito obrigadooo (:
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